Eu vejo e tu significantas: um retrato (a Sylvia Wynter) [prefácio]
- Daniela Castro
- 25 de jan. de 2022
- 1 min de leitura
Enquanto o chá de cravo, canela, gengibre
e noz moscada esfria um pouco, lembremos
que no inglês, o verbo “adjunct” resulta em
”as sociedades-plantações no Caribe surgem
adjuntas à sociedade de mercado.” Mas estamos
escrevendo nesse hoje pandêmico, com um
miliciano na presidência chamando genocídio
de “falta de cloroquina” e chacina de “operação
policial no Jacarezinho”. Optei por usar “as
sociedades-plantações do Caribe surgem como
prótese da sociedade de mercado; seus povos
emergem como prótese da monocultura da
cana de açúcar, que eles mesmos produziam.
“Prótese” sugere, já em sua imagem, a colisão
violenta do interesse econômico europeu contra
outros povos, outras ecologias e cosmogonias.
Ataque chamado de acidente; invasão apelidada
de chegada na maré baixa. Um acidente
em vigor há cinco séculos. Prótese sugere
artificialidade e dor. Prótese sugere atualização
das tecnologias de artificialidade e de dor.
Prótese descortina a barbárie como exercício de
construção de contextos para justificar a violência
epistemológica, ecológica e corpórea. História.
Noz moscada, dizem, é bom pra clarividência.
O chá não precisa de açúcar.
Sylvia Wynter e Daniela Castro em
leituraconversatradução de Novel and History,
Plot and Plantation, 1971-2021
é atemporal não é cartesiano é de um eu desconhecido nada é dito tudo é dito pai, te amo há distância pai, te amo à distância
Pelo ronco e pelo berro esse cu já levou um ferro trecho d'O Livro (dos cem), de Jac Leirner, 1987
A Imagem-Tempo O mal-estar na civilização O anti-edipo Crítica e clínica A revolução dos bichos Anos de chumbo O circuito dos afetos When...